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DX de FM (VHF) e televisão (VHF/UHF):

Embora a propagação das ondas de rádio em FM/VHF/UHF sejam feitas de forma directa, isto é, o emissor irradia a energia sob a forma de ondas electromagnéticas em linha recta, que mais tarde é captada por uma antena ligada ao receptor (sintonizador de rádio ou televisão), existem algumas situações mais ou menos frequentes que permitem que as ondas possam atingir distâncias maiores que as normalmente registadas:

A condução troposférica afecta sobretudo as banda VHF-II (FM) e III (televisão), mas também asfaixas IV e V da UHF (TV). O sinal de uma emissão captada por propagação troposférica é estável e pode ser suficientemente forte para se sintonizar uma emissão de rádio em FM  em estéreo (eventualmente com RDS) ou um canal de televisão com baixo ruído e cores vivas. Esta propagação pode atingir centenas de quilómetros, em certos casos, até mais de 1000 Km do emissor.
Em Portugal, mormente no sul do continente (Alentejo e Algarve), não é raro ouvirem-se emissores de outras regiões do país, mas também da vizinha Espanha; mais surpreendente, a captação de emissores de Marrocos (mais de 500 Km da costa portuguesa), do arquipélago da Madeira (~1000 Km) e até das Ilhas Canárias (mais de 1200 Km)!

Figura 1 - propagação ionosférica

Normalmente, a Banda I de TV é a banda afectada por este fenómeno, mas por vezes a faixa de radiodifusão VHF-FM (87,5- 108 MHz) e, excepcionalmente a banda III também podem sofrer esta alteração do percurso das ondas, que pode atingir mais de 1000 quilómetros. Esta propagação também é chamada como "E esporádica"  ("Sporadic E ") ou "salto da E" ("E skip") e ocorre maioritariamente (no Hemisfério Norte) entre os meses de Maio e Setembro de cada ano, com pico em Junho e Julho. Pode existir um segundo pico, de menor intensidade, nos meses de Dezembro e Janeiro, altura em que é Verão no Hemisfério Sul.  Uma E esporádica não está relacionada com a propagação troposférica, mas pode estar associada a outras formas de propagação, e, por vezes, surgem E esporádicas de vários saltos, ou seja, as as ondas "viajam" ao espaço, são reflectidas de volta para a Terra, sofrem outra reflexão para o espaço e voltam para a Terra,  em "ziguezague"; neste último caso as distâncias atingidas são maiores (mais de 2000 Km).

Quando as condições ionosféricas o propiciam, as esporádicas surgem quando menos se espera, começando a afectar as frequências da banda I da VHF (TV). Todavia, e à medida que a abertura se consolida, a reflexão da ionosfera atinge as frequências mais baixas da faixa de radiodifusão VHF-FM (87,5 MHz; 87,6 MHz, 87,7 MHz...) por vezes até aos "90 e tal" MHz; em condições bastante raras, a abertura pode alcançar frequências acima dos 108 MHz (limite superior da VHF-FM)... até chegar a faixas como os 144 MHz (faixa de radioamadorismo emissor), inclusivamente o canal 5 de TV (175,25 MHz), possibilitando captações muito interessantes.

Regra geral, os sinais recebidos via esporádicas são instáveis, sofrendo desvanecimento (fading), por vezes encobertos por outros emissores, no caso da banda de VHF-FM, eventualmente será possível ter sinal suficiente para descodificar o RDS de algum emissor captado. No caso da banda I de VHF, se as condições forem favoráveis, poderemos ter alguns segundos/minutos de imagem/áudio relativamente estáveis, facilitando a identificação da emissão recebida. Por outras palavras, não convém pensar em aproveitar as esporádicas para acompanhar regularmente emissões de outros países: para isso, o melhor será recorrer à "velha" Onda Curta, a par do satélite e a Internet! Mas, por outro lado, as esporádicas são muito interessantes para quem quiser praticar DX e tentar ouvir/ver emissões radiofónicas ou mesmo televisivas a milhares de Kms do emissor.


Existe um conceito utilizado pelos entusiastas e Dxistas da VHF, que se denomina MUF - Maximum Usable Frequency. Em português:  frequência máxima utilizável - isto é, a frequência máxima que é reflectida pela ionosfera, que depende de abertura para abertura, podendo chegar apenas às frequências mais baixas da VHF; nos casos mais favoráveis poderá chegar à banda FM, atingindo emissões de radiodifusão que inclusivamente podem interferir os emissores da nossa região, ou, como referi, em casos raros, a ionosfera "abre-se" para cima de 100 MHz!

Na óptica do ouvinte de rádio comum, as esporádicas são "indesejáveis", pois interferem com os emissores habitualmente sintonizados, pois ninguém gosta de ouvir a sua rádio favorita com interfências de outras emissões... No entanto, para quem gosta de questões mais técnicas e tiver curiosidade de ter um "cheirinho" de emissões de outras paragens, as esporádicas serão muito úteis, pois poderão ouvir coisas que nunca imaginariam ouvir na VHF-FM em Portugal! Por cá, no continente, não é raro ouvir-se emissores FM de países como Espanha, França, Itália, Reino Unido, Argélia, Tunísia, entre outros.

Existem dois tipos distintos de "TEP": a "Afternoon TEP" e a "Evening TEP", algo que poderíamos tentar traduzir para Português como a "propagação de tarde" e a propagação "ao final da tarde".  No primeiro caso, sinais até 60 MHz poderão atingir distâncias na ordem dos 6400-8000 Km, apresentando frequentemente distorções devido à reflexão de ondas (multipercurso / multipath). Já a propagação no final de tarde terá o seu pico entre as 19 e as 23 horas locais, permitindo a captação de emissores até aos 220 MHz, eventualmente, em circunstâncias raríssimas, até aos 432 MHz.

Existem outras formas de propagação DX, mas são bem raras, pelo que não são consideradas neste artigo. Note-se que existem fenómenos de reflexão e refracção de sinais radioeléctricos, nomeadamente em zonas montanhosas, que estendem a cobertura de um emissor além do previsto, cujas captações não devem ser consideradas "DX", já que são o resultado de um efeito permanente.

Para mais informações sobre a propagação de ondas VHF e UHF a grandes distâncias, sugere-se a consulta do artigo TV and FM DX (em inglês), da Wikipédia, que explica detalhadamente todos os fenómemos de propagação citados.


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