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DX de FM
(VHF) e televisão (VHF/UHF):
Embora a propagação das ondas de
rádio em FM/VHF/UHF
sejam feitas de forma directa, isto é, o emissor irradia a
energia sob a forma de ondas electromagnéticas em linha recta,
que mais tarde é captada por uma antena ligada ao receptor
(sintonizador
de rádio ou televisão), existem algumas situações mais ou menos
frequentes
que permitem que as ondas possam atingir distâncias maiores que
as normalmente registadas:
- Propagação
troposférica (ou, abreviadamente, tropo)
[em inglês, tropospheric
ducting]-
A troposfera é uma camada da atmosfera terrestre
que, em certas condições meteorológicas pode propagar ondas de
rádio.
Este tipo de propagação está normalmente associado a
anticiclones
formados em dias de temperaturas elevadas, pelo que é
frequente no
Verão, mas também regular, com maior ou menor intensidade, no
final da
Primavera e no início do Outono. O desenvolvimento de nevoeiro
na
atmosfera também favorece a propagação de sinais nestas
condições,
também devido às alterações atmosféricas resultantes deste
fenómeno
natural. Por outro lado, a condução troposférica é
afectada pela
orografia, uma vez que a presença de montanhas com altitude
considerável pode constituir um obstáculo ao desenvolvimento
de
"tropos". A humidade do ar também é um factor crucial para a
formação
das condições propícias a esta forma de propagação de ondas
electromagnéticas, pelo que também não há grandes "tropos" em
regiões
desérticas ; naturalmente que não sendo o caso de Portugal,
esta última
informação é fornecida mais a título de curiosidade (a não ser
que o
leitor deste artigo viaje para as grandes áreas desérticas do
Mundo
como, por exemplo, o Deserto do Sahara.)
A
condução troposférica afecta sobretudo as banda VHF-II (FM) e III
(televisão), mas também asfaixas IV e V da UHF (TV). O sinal
de
uma
emissão captada por propagação troposférica é estável e pode ser
suficientemente forte para se sintonizar uma emissão de rádio em
FM em estéreo (eventualmente com RDS) ou um canal de
televisão
com
baixo ruído e cores vivas. Esta propagação pode atingir centenas
de
quilómetros, em certos casos, até mais de 1000 Km do emissor.
Em Portugal, mormente no
sul do continente (Alentejo e Algarve), não é raro
ouvirem-se emissores de outras regiões do país, mas também da
vizinha
Espanha; mais surpreendente, a captação de emissores de Marrocos
(mais
de 500 Km da costa portuguesa), do arquipélago da Madeira (~1000
Km) e
até das Ilhas Canárias (mais de 1200 Km)!
- Propagação
ionosférica (em inglês, Sporadic
E) - A
ionosfera é uma camada da atmosfera que tem a particularidade
de
propagar ondas de rádio, nomeadamente as ondas curtas e
médias. Todavia,
em condições irregulares e excepcionais,
que podem durar de vários minutos até algumas horas, a camada
E da
ionosfera pode reflectir sinais de VHF, até cerca de 150 MHz
(ver
figura para mais pormenores):

Normalmente,
a Banda I de TV é a banda
afectada por este fenómeno, mas por vezes a faixa de
radiodifusão VHF-FM (87,5- 108 MHz) e,
excepcionalmente a banda III também podem sofrer esta alteração
do percurso das ondas, que pode atingir mais de 1000
quilómetros.
Esta propagação também é chamada como "E
esporádica"
("Sporadic E ")
ou "salto da E" ("E
skip") e ocorre maioritariamente (no Hemisfério Norte)
entre
os meses de Maio e Setembro de cada ano, com pico em Junho e
Julho. Pode existir um segundo pico, de menor intensidade, nos
meses de
Dezembro e Janeiro, altura em que é Verão no Hemisfério
Sul. Uma E esporádica não
está relacionada com a propagação
troposférica, mas pode estar associada a outras
formas de propagação, e, por vezes, surgem E esporádicas
de vários saltos, ou seja, as as ondas "viajam" ao espaço, são
reflectidas de volta para a Terra, sofrem outra reflexão para o
espaço
e voltam para a Terra, em "ziguezague"; neste último caso
as distâncias atingidas são maiores (mais de 2000 Km).
Quando as
condições ionosféricas o propiciam, as esporádicas surgem quando
menos
se espera, começando a afectar as frequências da banda I da VHF
(TV).
Todavia, e à medida que a abertura se consolida, a reflexão da
ionosfera atinge as frequências mais baixas da faixa de
radiodifusão VHF-FM (87,5 MHz; 87,6 MHz, 87,7 MHz...) por
vezes até aos "90 e tal" MHz; em condições bastante raras, a
abertura
pode alcançar frequências acima dos 108 MHz (limite
superior da VHF-FM)... até chegar a faixas como os 144 MHz
(faixa de
radioamadorismo emissor), inclusivamente o canal 5 de TV (175,25
MHz),
possibilitando captações muito interessantes.
Regra geral, os sinais recebidos via esporádicas são instáveis,
sofrendo desvanecimento (fading),
por
vezes encobertos por outros emissores, no caso da banda de
VHF-FM,
eventualmente será possível ter sinal suficiente para
descodificar o
RDS
de algum emissor captado. No caso da banda I de VHF, se as
condições
forem favoráveis, poderemos ter alguns segundos/minutos de
imagem/áudio
relativamente estáveis, facilitando a identificação da emissão
recebida. Por outras palavras, não convém pensar em
aproveitar as esporádicas para
acompanhar regularmente emissões de outros países: para isso, o
melhor será recorrer à "velha" Onda Curta, a par do satélite e a
Internet! Mas, por outro lado, as
esporádicas são muito interessantes para quem quiser praticar DX
e
tentar ouvir/ver emissões radiofónicas ou mesmo televisivas a
milhares
de Kms do emissor.
Existe um conceito utilizado pelos entusiastas e Dxistas da VHF,
que se
denomina MUF - Maximum
Usable Frequency.
Em português: frequência
máxima utilizável - isto é, a frequência
máxima que é reflectida pela ionosfera, que depende de abertura
para
abertura, podendo chegar apenas às frequências mais baixas da
VHF; nos casos
mais favoráveis poderá chegar à banda FM, atingindo emissões de
radiodifusão que inclusivamente podem interferir os emissores da
nossa
região, ou, como referi, em casos raros, a ionosfera
"abre-se"
para cima de 100 MHz!
Na óptica do ouvinte de rádio comum, as esporádicas são
"indesejáveis", pois
interferem com os emissores habitualmente sintonizados, pois
ninguém
gosta de ouvir a sua rádio favorita com interfências de outras
emissões...
No entanto, para quem gosta de questões mais técnicas e tiver
curiosidade de ter um "cheirinho" de emissões de outras
paragens, as
esporádicas serão muito úteis, pois poderão ouvir coisas que
nunca
imaginariam ouvir na VHF-FM em Portugal! Por cá, no continente,
não é
raro ouvir-se emissores FM de países como Espanha, França,
Itália,
Reino Unido, Argélia, Tunísia, entre outros.
- Propagação
Transequatorial (em
inglês, Transequatorial
propagation
(TEP) ) - Este
tipo de propagação, descoberto em 1947, permite captar
emissores de
rádio e TV através do Equador, atingindo distâncias na ordem
dos 4.800
a 8.000 km. A recepção de emissões entre os 30 e os
70 MHz é
comum, mas se a actividade solar o proporcionar, a captação de
sinais
até aos 108 MHz (faixa de VHF-FM) é possível. Por outro lado, a
recepção de emissões acima de 220 MHz é extremamente rara.
Em
qualquer dos casos, para se poder usufruir deste tipo de
propagação, as
estações emissoras e receptoras devem-se estar equidistantes do
Equador.
Existem dois tipos
distintos de "TEP": a "Afternoon
TEP" e a "Evening
TEP",
algo que poderíamos tentar traduzir para Português como a
"propagação
de tarde" e a propagação "ao final da tarde". No primeiro
caso,
sinais até 60 MHz poderão atingir distâncias na ordem dos
6400-8000 Km,
apresentando frequentemente distorções devido à reflexão de ondas
(multipercurso / multipath).
Já
a propagação no final de tarde terá o seu pico entre as 19 e as 23
horas locais, permitindo a captação de emissores até aos 220 MHz,
eventualmente, em circunstâncias raríssimas, até aos 432 MHz.
- Salto da F2 (em
inglês, F2 Skip)-
Este tipo de propagação a longas distâncias é, certamente, o
mais
interessante para o DXista, uma vez que as distâncias obtidas
são
excepcionais: pode-se dizer , literalmente, que se consegue
ver televisão
do outro lado do mundo. O salto da F2, como o nome indica, é
causado
pela camada F2 da ionosfera, quando o ciclo solar está no
máximo da sua
actividade, o que acontece de 11 em 11 anos. Esta camada é
utilizada
pelas ondas curtas, mas quando a frequência máxima utilizável
aumenta,
a Banda I de VHF é atingida, permitindo que as distâncias
sejam de
milhares de Km's! A frequência máxima utilizável, nestes
casos, pode ir
até 60 MHz. O sinal é variável, com fading
e as imagens
recebidas
sofrem uma grande distorção. Sendo o tipo de propagação mais
apetecível
para o Dxista de TV, não deixa de ser também um dos mais
difíceis de se
"apanhar", uma vez que, devido às perturbações a que os sinais
são
sujeitos na sua "viagem" entre emissor/ionosfera/antena
receptora,
exige que o Dxista esteja munido de um bom receptor, bem como
um
equipamento de recepção (antenas, cabos, etc.) de alto
ganho, que
permita a recepção de sinais muito fracos.
- Reflexão por
meteorito (em inglês, meteor
scatter)- A
passagem de um meteorito perto da Terra pode reflectir sinais
VHF
durante um curto intervalo de tempo, de milésimos de segundos
até
poucos segundos (quando há "chuva" de meteoritos, popularmente
designada por "estrelas cadentes"). É necessário que o Dxista
tenha o
equipamento estável e pré-sintonizado para que se consiga
receber uma
emissão; nestes casos, quanto muito, obtém-se o RDS de uma
rádio FM ou
uma imagem de um canal de televisão, pois o tempo pode ser
insuficiente para
obter outros dados.
- Auroras boreais
- As auroras boreais, fenómeno atmosférico que acontece ,
normalmente,
em zonas próximas dos pólos terrestres podem reflectir sinais
de rádio
e televisão. Como uma aurora é um mau reflector, as imagens de
TV são altamente distorcidas, pelo que dificulta imenso a sua
identificação. Todavia, o som pode não sofrer perturbações,
pelo que a presença de uma aurora favoorece a recepção de
emissões de rádio FM e o som
dos canais de televisão na faixa de VHF.
- Propagação TLT
(Terra-Lua-Terra) (em inglês, EME
- Earth-Moon-Earth):
Certamente a mais exigente e desafiante forma de propagação de
sinais VHF e UHF. Como o nome sugere, a TLT baseia-se na
reflexão de sinais VHF e UHF na superfície da Lua, sendo
"devolvidos" à Terra. A grande distância entre a Terra e a Lua
(cerca de 385 000 Km) , aliada às perdas de sinal durante o
percurso, afectam negativamente a relação sinal/ruído das
transmissões, pelo que a TLT exige o recurso a antenas e
receptores de grande qualidade (muito boa sensibilidade).
Mesmo que o entusiasta do DX se muna de tais equipamentos, o
mais provável é limitar-se a captar um sinal fraquíssimo,
pouco acima do nível de ruído.
Existem outras formas de
propagação DX, mas são bem raras, pelo que não são consideradas
neste
artigo. Note-se que existem fenómenos de reflexão e refracção de
sinais
radioeléctricos, nomeadamente em zonas montanhosas, que estendem
a
cobertura de um emissor além do previsto, cujas captações não
devem ser
consideradas "DX", já que são o resultado de um efeito
permanente.
Para mais informações sobre a
propagação de
ondas VHF e UHF a grandes distâncias, sugere-se
a
consulta do artigo TV
and FM DX
(em inglês), da Wikipédia, que explica
detalhadamente todos os fenómemos de propagação citados.
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em permanente revisão. Apesar dos meus esforços para tentar
melhorá-lo tanto quanto possível, é provável que o mesmo contenha
erros, mormente do foro ortográfico, gramatical ou até mesmo ao
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técnico (conteúdos). Sugiro aos leitores que eventualmente
detectem quaisquer incorrecções na página que as encaminhem
para o
meu endereço de correio electrónico (infra nesta página); da minha
parte, e agradecendo de antemão a ajuda prestada na melhoria do
artigo,
prometo corrigir as situações logo que possível.
(CC) Luís Carvalho - alguns direitos reservados

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