Autor Tópico: O triste cenário do Grande Porto  (Lida 970 vezes)

Zeca 2021

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O triste cenário do Grande Porto
« em: Agosto 22, 2021, 02:42:41 pm »
Porto : 2 rádio locais
Gondomar: 0
Vila Nova de Gaia: 1
Matosinhos: 0
Maia: 0

Rede Regional Norte: 0

No concelho do Porto e nos concelhos que fazem fronteira com o Porto das 13 frequências de rádio locais + a rede regional norte apenas existem 3 rádios com emissão própria a partir do concelho. O Grande Porto está moribundo em termos de rádios.
Como foi possível o poder autárquico e as forças vivas destes concelhos terem permitido chegar a este triste cenário.
Um país submisso a poderes partidários, mudanças na lei da rádio que permitiram o aglomerar de frequências, uma associação de rádios locais também ela submissa ao poder e empresários locais que olharam para os alvarás como forma rápida de ganhar dinheiro e no cimo da cereja, um poder politico centralista que protege os grandes grupos, levou a este cenário catastrófico no Grande Porto.

Se fosse acrescentado os concelhos do segundo anel, o cenário era igualmente negro.
Pobre Portugal.
« Última modificação: Agosto 22, 2021, 02:46:43 pm por Zeca 2021 »

Zeca 2021

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #1 em: Agosto 24, 2021, 10:50:22 pm »
A falta de comentários será sinónimo que ninguém se preocupa com o cenário no Porto.
Sendo assim, todos estão satisfeitos que o Grande Porto daqui a pouco tempo, nem uma rádio tenha.

Curioso mas se calhar não.
Em muitos comentários que se vai lendo por aqui se vê a promoção de tudo que é radio dos grupos RR/Mediacapital/MusicanoCoração/ e assim se percebe os interesses instalados em muitos dos aqui foristas.

ruicleto

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #2 em: Agosto 24, 2021, 11:11:02 pm »
Contra factos não há argumentos... desconhecia este cenário, como provavelmente qualquer português que se interesse por rádio.

Boxx

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #3 em: Agosto 25, 2021, 07:26:33 am »
As rádios que ainda existem continuam numa lenta agonia: ontem por exemplo ouvi o painel de regresso a casa (17-20h) da rádio Nova, conduzido pelo Paulo Arbiol, e ele interviu 2-3 vezes por hora...Ora isto não pode ser! Como ouvinte, fico com a sensação de que estamos perante uma rádio fantasma e a tendência é mudar de posto...

Memórias da Rádio

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #4 em: Agosto 25, 2021, 08:07:44 am »
As rádios que ainda existem continuam numa lenta agonia: ontem por exemplo ouvi o painel de regresso a casa (17-20h) da rádio Nova, conduzido pelo Paulo Arbiol, e ele interviu 2-3 vezes por hora...Ora isto não pode ser! Como ouvinte, fico com a sensação de que estamos perante uma rádio fantasma e a tendência é mudar de posto...

Exceção que confirma a regra. Ainda na Segunda ouvi vários parciais de hora e interviu imenso... e o habitual dele é intervir bem quando em direto.

Zeca 2021

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #5 em: Agosto 25, 2021, 04:51:05 pm »
As rádios que ainda existem continuam numa lenta agonia: ontem por exemplo ouvi o painel de regresso a casa (17-20h) da rádio Nova, conduzido pelo Paulo Arbiol, e ele interviu 2-3 vezes por hora...Ora isto não pode ser! Como ouvinte, fico com a sensação de que estamos perante uma rádio fantasma e a tendência é mudar de posto...

Mas se mudas de posto, acabas obrigatoriamente por cair numa frequência do Grande Porto ocupada.
Como já aqui falamos em tempos, a Nova devia ser um misto entre aquilo que foi no inicio e aquilo que é agora.
Uma rádio urbana, do e para o Porto.
Assim, é uma rádio para uma pequenissima franja e não sei se aguenta.

Zeca 2021

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #6 em: Agosto 25, 2021, 04:57:07 pm »
Contra factos não há argumentos... desconhecia este cenário, como provavelmente qualquer português que se interesse por rádio.

O que me admira é que num forum sobre rádio, este meu post já teve dezenas e dezenas de visualizações e quase nenhum comentário.
Quem gosta de rádio não pode ficar satisfeito com um cenário de o Porto e o 1º anel de concelhos em redor ter 13 frequências de rádios + a rede regional Norte e apenas 3 existirem com atividade própria, uma vez que o resto é ocupado com rádios da capital.

Afinal isto é um forum sobre rádio ou um aglomerado de foristas que por motivos pessoais, profissionais ou regionalistas ( não me estou a referir aos administradores ) têm interesse num cenários destes?

pdnf

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #7 em: Setembro 23, 2021, 01:03:35 am »
Desde quo este tópico foi criado, decidi dedicar algum tempo a pensar sobre a situação da rádio em Portugal. É indiscutível que a rádio feita a partir do Norte está moribunda e a precisar de ganhar outra implantação incluíndo nas seis redes nacionais e, por ordem de razão, na rede regional do norte. As próprias locais que resistem estão fracas, curiosamente melhores algumas que já ficam mais afastadas mas chegam ao centro da AMP e que vão salvando o panorama, como sejam a Norte as rádios de Guimarães, Famalicão e Braga ou, a sul, Ílhavo, Ovar e Sever do Vouga.

Não obstante, entendo que temos confundido duas temáticas que, embora possuam zonas de confluência ou com fronteira ténue, são distintas em si mesmas. Uma coisa é a decadêncida da rádio feita no Porto, outra é a canibalização de emissores locais por parte de estações que são pensadas com uma lógica nacional.

Atente-se nos seguintes mapas:



Distribuição dos Alvarás de rádio concelhios entre emissoras locais e nacionais na Área Metropolitana do Porto



Distribuição dos Alvarás de rádio concelhios entre emissoras locais e nacionais na Área Metropolitana de Lisboa

A Área Metropolitana do Porto é composta por 17 concelhos, dos quais 11 pertencem ao distrito do Porto e 6 ao distrito de Aveiro, possuindo ainda fronteira com municípios do distrito de Braga, com fortes ligações à cidade invicta.

Por sua vez, a área Metropolitana de Lisboa é composta por 18 municípios, divididos em igual número entre os distritos de Lisboa e Setúbal, sendo que ambas as capitais de distrito pertencem à região. Possuiu ainda fronteira com o distrito de Santarém pelo concelho de Benavente e com o distrito de Évora, pelo munícipio de Vendas Novas, devido à descontinuidade territorial que cria a caricata situação de, dentro da Área Metropolitana de Lisboa se estar já em pleno Alentejo. Os elementos identitários dos munícipios de fronteira são menos intensos do que o que ocorre na AMP, particularmente a Norte.

Em termos de alvarás de rádios locais, o concurso de 1989 atribuiu 33 aos municípios que hoje integram a AMP e 38 aos que compõem a AML. Em cada área metropolitana dois alvarás não se encontram em funcionamento (Porto, Espinho, Oeiras e Alcochete), o que dá um rácio de 1,83 rádios locais por município na AMP e de 2 na AML. Todavia, importa recordar que em ambas as regiões, existem dois municipios sem alvarás atribuídos, Odivelas e Trofa, em virtude da elevação a concelho de ambos os territórios ser posterior a 1989, contando ambos com foral de 19 de novembro de 1998.

Ao momento, em Portugal Continental existem 6 redes de rádio nacional, a saber: Antenas 1, 2 e 3 (RDP), Rádio Renascença e Renascença FM (R/Com) e Rádio Comercial (Media Captial Rádios).

Para além das referidas estações, existem ainda as seguintes rádios, que não emitindo para a totalidade do território nacional continental, abrangem uma parcela muito significativa da população nas suas áreas de cobertura e que detêm emissores nas áreas metropolitanas. Estas emissoras têm na sua programação uma vocação eminentemente nacional. As referidas são a TSF (detentora de alvará para a rede regional do norte), as quatro emissoras do grupo Media Capital Rádios, a M80 (detentora do alvará para a rede regional do sul), a Cidade FM, a Smooth FM e a Vodafone FM, a emissora jovem do grupo Renascença Multimédia, a MegaHits, a emissora para os PALOP da RDP, a África, as emissoras musicais do grupo Música no Coração, a MEO Sudoeste e a Super Bock Super Rock, a informativa Observador, a insolvente rádio Estádio e ainda as rádios religiosas Maria e Record, pertença da Igreja Católica e da "Igreja" Universal do Reino de Deus.

As referidas rádios, por forma a atingirem a sua vocação de rádios nacionais, foram forçadas a um crescimento que, fruto da limitação do especto em frequência modulada, se traduziu na aquisição de alvarás destinados a rádios locais, processo esse que foi acompanhado de alterações à Lei da Rádio na Assembleia da República que acomodassem essa possibilidade de crescimento.

Assim, à data de hoje, dos 31 alvarás ativos para rádios locais na Área Metropolitana do Porto, 15 deles estão afetos a rádios nacionais, uma percentagem de 48%. Dos referidos 15, apenas 4 emitem 8 durante 8 horas com RDS distitno da rede nacional (RECORD FM, Rádio Maria, Cidade FM de Vale de Cambra e M80 de Valongo), sendo que apenas na RECORD FM o desdobramento se traduz em programação emitida a partir da AMP e com interesse relevante para as populações locais.

Já no que concerne à Área Metropolitana de Lisboa, 17 dos 36 alvarás ativos emitem cadeias nacionais, numa percentagem muito equivalente à da AMP, 47%. Dos referidos 17, não existe nenhuma rádio que tenha horas de programação própria. Considerando que metade das frequências de rádios locais foram canibalizadas por emissoras de vocação nacional, é posta em causa a função destes alvarás, como meio de aproximação da população às forças vivas do concelho e de acesso à informação de âmbito concelhio. Esta situação torna-se particularmente evidente num momento de campanha eleitoral autárquica, onde a existência de alvarás locais é essencial à pressecução dos objetivos eleitorais de cada uma das forças políticas e a um esclarecimento cabal e informado da população. Tal materializa-se na inexistência de debates, entrevistas e tempos de antena para vários dos concelhos destas regiões.

Com exceção dos casos específicos de Odivelas e da Trofa, pelos motivos acima explicados, e de Alcochete por cessação do alvará, encontram-se privados de uma rádio concelhia os municípios de Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Vale de Cambra (5/16=31%) e de Lisboa, Amadora, Barreiro e Palmela (4/17=23%), o que compara de forma favorável com a Área Metropolitana do Porto.
Poder-se-á argumentar, com alguma propriedade, que as rádios locais dos municípios vizinhos, numa tentativa de captação de audiência dão resposta às lacunas de cobertura existentes nos municípios supracitados. Sendo tal verdade, importa recordar que o modelo português assenta na existência de rádios de âmbito concelhio e não distrital ou metropolitanas. Por outro lado, no caso particular da AML, por força da proximidade geográfica ao poder político, mas também da localização das redações e estúdios, as rádios de âmbito nacional cobrem de uma forma mais adequada a realidade concelhia do que o que acontece na Área Metropolitana do Porto, o que, por si só, se afigura como vantajoso. Por outro lado, e pese embora se tenha consciência de que a capital não dispõe de uma frequência verdadeiramente local, no anel urbano da AMP, composto pelos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar, existem apenas 3 rádios locais, sendo duas delas temáticas musicais. Por seu turno, Lisboa compara com 11 rádios nos municípios fronteiriços, quer da margem norte, quer da margem sul, o que resulta numa situação muito menos prejudicial a sul do que a norte, não obstante ser igualmente objeto da preocupação.

Em suma, e em jeito de conclusão, importa ponderar devidamente sobre o modelo que deverá suceder ao implementado em 1989. É notório que as rádios concelhias não têm escala nem músculo financeiro para competir com os grandes grupos, que usam as frequências para a pressecução do seu objetivo de expansão nos territórios mais populosos e com maior rentabilidade. A evolução para um modelo de rádios regionais, permitiria certamente eliminar uma grande parte dos problemas aqui elencados, aproveitando muito do know how que resulta das locais de maior qualidade hoje existentes.


nelsonsoares

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #8 em: Setembro 23, 2021, 12:23:00 pm »
Desde quo este tópico foi criado, decidi dedicar algum tempo a pensar sobre a situação da rádio em Portugal. É indiscutível que a rádio feita a partir do Norte está moribunda e a precisar de ganhar outra implantação incluíndo nas seis redes nacionais e, por ordem de razão, na rede regional do norte. As próprias locais que resistem estão fracas, curiosamente melhores algumas que já ficam mais afastadas mas chegam ao centro da AMP e que vão salvando o panorama, como sejam a Norte as rádios de Guimarães, Famalicão e Braga ou, a sul, Ílhavo, Ovar e Sever do Vouga.

Não obstante, entendo que temos confundido duas temáticas que, embora possuam zonas de confluência ou com fronteira ténue, são distintas em si mesmas. Uma coisa é a decadêncida da rádio feita no Porto, outra é a canibalização de emissores locais por parte de estações que são pensadas com uma lógica nacional.

Atente-se nos seguintes mapas:



Distribuição dos Alvarás de rádio concelhios entre emissoras locais e nacionais na Área Metropolitana do Porto



Distribuição dos Alvarás de rádio concelhios entre emissoras locais e nacionais na Área Metropolitana de Lisboa

A Área Metropolitana do Porto é composta por 17 concelhos, dos quais 11 pertencem ao distrito do Porto e 6 ao distrito de Aveiro, possuindo ainda fronteira com municípios do distrito de Braga, com fortes ligações à cidade invicta.

Por sua vez, a área Metropolitana de Lisboa é composta por 18 municípios, divididos em igual número entre os distritos de Lisboa e Setúbal, sendo que ambas as capitais de distrito pertencem à região. Possuiu ainda fronteira com o distrito de Santarém pelo concelho de Benavente e com o distrito de Évora, pelo munícipio de Vendas Novas, devido à descontinuidade territorial que cria a caricata situação de, dentro da Área Metropolitana de Lisboa se estar já em pleno Alentejo. Os elementos identitários dos munícipios de fronteira são menos intensos do que o que ocorre na AMP, particularmente a Norte.

Em termos de alvarás de rádios locais, o concurso de 1989 atribuiu 33 aos municípios que hoje integram a AMP e 38 aos que compõem a AML. Em cada área metropolitana dois alvarás não se encontram em funcionamento (Porto, Espinho, Oeiras e Alcochete), o que dá um rácio de 1,83 rádios locais por município na AMP e de 2 na AML. Todavia, importa recordar que em ambas as regiões, existem dois municipios sem alvarás atribuídos, Odivelas e Trofa, em virtude da elevação a concelho de ambos os territórios ser posterior a 1989, contando ambos com foral de 19 de novembro de 1998.

Ao momento, em Portugal Continental existem 6 redes de rádio nacional, a saber: Antenas 1, 2 e 3 (RDP), Rádio Renascença e Renascença FM (R/Com) e Rádio Comercial (Media Captial Rádios).

Para além das referidas estações, existem ainda as seguintes rádios, que não emitindo para a totalidade do território nacional continental, abrangem uma parcela muito significativa da população nas suas áreas de cobertura e que detêm emissores nas áreas metropolitanas. Estas emissoras têm na sua programação uma vocação eminentemente nacional. As referidas são a TSF (detentora de alvará para a rede regional do norte), as quatro emissoras do grupo Media Capital Rádios, a M80 (detentora do alvará para a rede regional do sul), a Cidade FM, a Smooth FM e a Vodafone FM, a emissora jovem do grupo Renascença Multimédia, a MegaHits, a emissora para os PALOP da RDP, a África, as emissoras musicais do grupo Música no Coração, a MEO Sudoeste e a Super Bock Super Rock, a informativa Observador, a insolvente rádio Estádio e ainda as rádios religiosas Maria e Record, pertença da Igreja Católica e da "Igreja" Universal do Reino de Deus.

As referidas rádios, por forma a atingirem a sua vocação de rádios nacionais, foram forçadas a um crescimento que, fruto da limitação do especto em frequência modulada, se traduziu na aquisição de alvarás destinados a rádios locais, processo esse que foi acompanhado de alterações à Lei da Rádio na Assembleia da República que acomodassem essa possibilidade de crescimento.

Assim, à data de hoje, dos 31 alvarás ativos para rádios locais na Área Metropolitana do Porto, 15 deles estão afetos a rádios nacionais, uma percentagem de 48%. Dos referidos 15, apenas 4 emitem 8 durante 8 horas com RDS distitno da rede nacional (RECORD FM, Rádio Maria, Cidade FM de Vale de Cambra e M80 de Valongo), sendo que apenas na RECORD FM o desdobramento se traduz em programação emitida a partir da AMP e com interesse relevante para as populações locais.

Já no que concerne à Área Metropolitana de Lisboa, 17 dos 36 alvarás ativos emitem cadeias nacionais, numa percentagem muito equivalente à da AMP, 47%. Dos referidos 17, não existe nenhuma rádio que tenha horas de programação própria. Considerando que metade das frequências de rádios locais foram canibalizadas por emissoras de vocação nacional, é posta em causa a função destes alvarás, como meio de aproximação da população às forças vivas do concelho e de acesso à informação de âmbito concelhio. Esta situação torna-se particularmente evidente num momento de campanha eleitoral autárquica, onde a existência de alvarás locais é essencial à pressecução dos objetivos eleitorais de cada uma das forças políticas e a um esclarecimento cabal e informado da população. Tal materializa-se na inexistência de debates, entrevistas e tempos de antena para vários dos concelhos destas regiões.

Com exceção dos casos específicos de Odivelas e da Trofa, pelos motivos acima explicados, e de Alcochete por cessação do alvará, encontram-se privados de uma rádio concelhia os municípios de Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Vale de Cambra (5/16=31%) e de Lisboa, Amadora, Barreiro e Palmela (4/17=23%), o que compara de forma favorável com a Área Metropolitana do Porto.
Poder-se-á argumentar, com alguma propriedade, que as rádios locais dos municípios vizinhos, numa tentativa de captação de audiência dão resposta às lacunas de cobertura existentes nos municípios supracitados. Sendo tal verdade, importa recordar que o modelo português assenta na existência de rádios de âmbito concelhio e não distrital ou metropolitanas. Por outro lado, no caso particular da AML, por força da proximidade geográfica ao poder político, mas também da localização das redações e estúdios, as rádios de âmbito nacional cobrem de uma forma mais adequada a realidade concelhia do que o que acontece na Área Metropolitana do Porto, o que, por si só, se afigura como vantajoso. Por outro lado, e pese embora se tenha consciência de que a capital não dispõe de uma frequência verdadeiramente local, no anel urbano da AMP, composto pelos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar, existem apenas 3 rádios locais, sendo duas delas temáticas musicais. Por seu turno, Lisboa compara com 11 rádios nos municípios fronteiriços, quer da margem norte, quer da margem sul, o que resulta numa situação muito menos prejudicial a sul do que a norte, não obstante ser igualmente objeto da preocupação.

Em suma, e em jeito de conclusão, importa ponderar devidamente sobre o modelo que deverá suceder ao implementado em 1989. É notório que as rádios concelhias não têm escala nem músculo financeiro para competir com os grandes grupos, que usam as frequências para a pressecução do seu objetivo de expansão nos territórios mais populosos e com maior rentabilidade. A evolução para um modelo de rádios regionais, permitiria certamente eliminar uma grande parte dos problemas aqui elencados, aproveitando muito do know how que resulta das locais de maior qualidade hoje existentes.
Pessoalmente continuo a considerar o futuro da rádio, na tecnologia DAB+.
O FM está obsolento, e o espetro do FM, está completamente sobrecarregado nas áreas metropolitanas.
Não vou falar das vantagens do DAB+, pois já foram citadas inúmeras vezes neste fórum.
Só frisar, que nesse aspeto da digitalização da rádio, estamos atrasados em relação à restante Europa.
Enquanto a maioria dos diretores de rádio deste país, não se conformarem que o futuro está na digitalização da rádio, vamos continuar a debater temas destes aqui no fórum, e que na minha opinião pessoal, já é algo ridículo, dado à limitação de espetro que temos no FM

Luis Carvalho

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #9 em: Setembro 23, 2021, 01:03:48 pm »
A pergunta que se impõe: será que o DAB+ por si só mudaria radicalmente o panorama radiofónico em Portugal? Será que por haver maior capacidade (espectro), haveria condições para se ter 5 rádios locais no Porto, 2 ou 3 em Matosinhos, mais 2 ou 3 em Gaia, mais umas tantas em Gondomar, na Maia, na Póvoa do Varzim, em Vila do Conde, na Trofa, Santo Tirso... Haveria mercado para dezenas de rádios locais no Grande Porto, a terem de comer do mesmo "bolo" (o bolo dos €€€ da publicidade)?

Ou o DAB+ serviria para, quem sabe, retransmitir a Rádio Amália, a Radar, a Oxigénio, a Marginal, a 105.4 (Cascais) ou a Popular FM?

Sejamos claros: em Portugal não há tecido económico que sustente dezenas de rádios locais a concorrer entre si na mesma região. Ou há empresários dispostos a financiarem directamente rádios, ou não há milagres quando as receitas publicitárias são escassas. Portugal podia ter o DAB+ da Noruega se também tivesse rádios a receber dinheiro da publicidade ao petróleo, ao gás natural e até ao bacalhau.
Cumprimentos,
Luís Carvalho

Administrador do "Fórum da Rádio"

pdnf

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #10 em: Setembro 23, 2021, 07:43:41 pm »
A pergunta que se impõe: será que o DAB+ por si só mudaria radicalmente o panorama radiofónico em Portugal? Será que por haver maior capacidade (espectro), haveria condições para se ter 5 rádios locais no Porto, 2 ou 3 em Matosinhos, mais 2 ou 3 em Gaia, mais umas tantas em Gondomar, na Maia, na Póvoa do Varzim, em Vila do Conde, na Trofa, Santo Tirso... Haveria mercado para dezenas de rádios locais no Grande Porto, a terem de comer do mesmo "bolo" (o bolo dos €€€ da publicidade)?

Ou o DAB+ serviria para, quem sabe, retransmitir a Rádio Amália, a Radar, a Oxigénio, a Marginal, a 105.4 (Cascais) ou a Popular FM?

Sejamos claros: em Portugal não há tecido económico que sustente dezenas de rádios locais a concorrer entre si na mesma região. Ou há empresários dispostos a financiarem directamente rádios, ou não há milagres quando as receitas publicitárias são escassas. Portugal podia ter o DAB+ da Noruega se também tivesse rádios a receber dinheiro da publicidade ao petróleo, ao gás natural e até ao bacalhau.

Obivamente que não existe mercado para tanto produto idêntico. Para mim, o concelho de Santo Tirso é o melhor espelho dessa realidade: duas rádios em tudo idênticas que não são mais do que discos pedidos (pelo menos sempre que as pico), passagem de vídeos do Youtube, ou espaços de publicidade em forma de convite que duram facilmente 10 minutos, e sem qualquer tipo de interesse para as populações. A minha questõ é: não ficariam mais bem servidos os ouvintes com uma rádio metropolitana forte, com boa qualidade, boa informação, boa música... do que com isto? Mercado para quatro ou cinco alvarás locais existe. Alvarás esses que, com melor informação, podem ser mais eficientes a cobrir a informação regional e concelhia do que o que acontece atualmente nas locais, que têm, muitas delas, 1 ou 2 jonralistas apenas.

Por outro lado, e não frisei isso na minha reflexão, parece-me totalmente evidente que os grupos privados têm o direito de crescer e uma oferta, por exemplo, como a Smooth, ou mesmo como a da M80 ou a da Mega/Cidade fazem falta no espectro português, onde as nacionais não vão a tudo.

Zeca 2021

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #11 em: Setembro 23, 2021, 07:48:55 pm »
O numero de rádios on line é inacreditável.
È sinal que há muita gente com interesse pelo meio. Basta uma procura por elas e vamos encontrar para todos os gostos em Portugal.
Se há tantas a nascer na internet é porque há quem goste de rádio.
O problema do mercado publicitário estar saturado é uma grande treta.
O problema é que os grande grupos, que aglutinam uma enormidade de frequências, aglutinam eles também quase todo o mercado publicitário. Se não tivesse sido permitido mais que uma rádio por cada operador ou titular de uma rádio, o mercado publicitário abria e era mais repartido.

O problema das rádios on line são os custos inerentes e a pouca capacidade de acessos da grande maioria, pois caso contrario

Zeca 2021

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #12 em: Setembro 23, 2021, 07:59:44 pm »
Desde quo este tópico foi criado, decidi dedicar algum tempo a pensar sobre a situação da rádio em Portugal. É indiscutível que a rádio feita a partir do Norte está moribunda e a precisar de ganhar outra implantação incluíndo nas seis redes nacionais e, por ordem de razão, na rede regional do norte. As próprias locais que resistem estão fracas, curiosamente melhores algumas que já ficam mais afastadas mas chegam ao centro da AMP e que vão salvando o panorama, como sejam a Norte as rádios de Guimarães, Famalicão e Braga ou, a sul, Ílhavo, Ovar e Sever do Vouga.

Não obstante, entendo que temos confundido duas temáticas que, embora possuam zonas de confluência ou com fronteira ténue, são distintas em si mesmas. Uma coisa é a decadêncida da rádio feita no Porto, outra é a canibalização de emissores locais por parte de estações que são pensadas com uma lógica nacional.

Atente-se nos seguintes mapas:



Distribuição dos Alvarás de rádio concelhios entre emissoras locais e nacionais na Área Metropolitana do Porto



Distribuição dos Alvarás de rádio concelhios entre emissoras locais e nacionais na Área Metropolitana de Lisboa

A Área Metropolitana do Porto é composta por 17 concelhos, dos quais 11 pertencem ao distrito do Porto e 6 ao distrito de Aveiro, possuindo ainda fronteira com municípios do distrito de Braga, com fortes ligações à cidade invicta.

Por sua vez, a área Metropolitana de Lisboa é composta por 18 municípios, divididos em igual número entre os distritos de Lisboa e Setúbal, sendo que ambas as capitais de distrito pertencem à região. Possuiu ainda fronteira com o distrito de Santarém pelo concelho de Benavente e com o distrito de Évora, pelo munícipio de Vendas Novas, devido à descontinuidade territorial que cria a caricata situação de, dentro da Área Metropolitana de Lisboa se estar já em pleno Alentejo. Os elementos identitários dos munícipios de fronteira são menos intensos do que o que ocorre na AMP, particularmente a Norte.

Em termos de alvarás de rádios locais, o concurso de 1989 atribuiu 33 aos municípios que hoje integram a AMP e 38 aos que compõem a AML. Em cada área metropolitana dois alvarás não se encontram em funcionamento (Porto, Espinho, Oeiras e Alcochete), o que dá um rácio de 1,83 rádios locais por município na AMP e de 2 na AML. Todavia, importa recordar que em ambas as regiões, existem dois municipios sem alvarás atribuídos, Odivelas e Trofa, em virtude da elevação a concelho de ambos os territórios ser posterior a 1989, contando ambos com foral de 19 de novembro de 1998.

Ao momento, em Portugal Continental existem 6 redes de rádio nacional, a saber: Antenas 1, 2 e 3 (RDP), Rádio Renascença e Renascença FM (R/Com) e Rádio Comercial (Media Captial Rádios).

Para além das referidas estações, existem ainda as seguintes rádios, que não emitindo para a totalidade do território nacional continental, abrangem uma parcela muito significativa da população nas suas áreas de cobertura e que detêm emissores nas áreas metropolitanas. Estas emissoras têm na sua programação uma vocação eminentemente nacional. As referidas são a TSF (detentora de alvará para a rede regional do norte), as quatro emissoras do grupo Media Capital Rádios, a M80 (detentora do alvará para a rede regional do sul), a Cidade FM, a Smooth FM e a Vodafone FM, a emissora jovem do grupo Renascença Multimédia, a MegaHits, a emissora para os PALOP da RDP, a África, as emissoras musicais do grupo Música no Coração, a MEO Sudoeste e a Super Bock Super Rock, a informativa Observador, a insolvente rádio Estádio e ainda as rádios religiosas Maria e Record, pertença da Igreja Católica e da "Igreja" Universal do Reino de Deus.

As referidas rádios, por forma a atingirem a sua vocação de rádios nacionais, foram forçadas a um crescimento que, fruto da limitação do especto em frequência modulada, se traduziu na aquisição de alvarás destinados a rádios locais, processo esse que foi acompanhado de alterações à Lei da Rádio na Assembleia da República que acomodassem essa possibilidade de crescimento.

Assim, à data de hoje, dos 31 alvarás ativos para rádios locais na Área Metropolitana do Porto, 15 deles estão afetos a rádios nacionais, uma percentagem de 48%. Dos referidos 15, apenas 4 emitem 8 durante 8 horas com RDS distitno da rede nacional (RECORD FM, Rádio Maria, Cidade FM de Vale de Cambra e M80 de Valongo), sendo que apenas na RECORD FM o desdobramento se traduz em programação emitida a partir da AMP e com interesse relevante para as populações locais.

Já no que concerne à Área Metropolitana de Lisboa, 17 dos 36 alvarás ativos emitem cadeias nacionais, numa percentagem muito equivalente à da AMP, 47%. Dos referidos 17, não existe nenhuma rádio que tenha horas de programação própria. Considerando que metade das frequências de rádios locais foram canibalizadas por emissoras de vocação nacional, é posta em causa a função destes alvarás, como meio de aproximação da população às forças vivas do concelho e de acesso à informação de âmbito concelhio. Esta situação torna-se particularmente evidente num momento de campanha eleitoral autárquica, onde a existência de alvarás locais é essencial à pressecução dos objetivos eleitorais de cada uma das forças políticas e a um esclarecimento cabal e informado da população. Tal materializa-se na inexistência de debates, entrevistas e tempos de antena para vários dos concelhos destas regiões.

Com exceção dos casos específicos de Odivelas e da Trofa, pelos motivos acima explicados, e de Alcochete por cessação do alvará, encontram-se privados de uma rádio concelhia os municípios de Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Vale de Cambra (5/16=31%) e de Lisboa, Amadora, Barreiro e Palmela (4/17=23%), o que compara de forma favorável com a Área Metropolitana do Porto.
Poder-se-á argumentar, com alguma propriedade, que as rádios locais dos municípios vizinhos, numa tentativa de captação de audiência dão resposta às lacunas de cobertura existentes nos municípios supracitados. Sendo tal verdade, importa recordar que o modelo português assenta na existência de rádios de âmbito concelhio e não distrital ou metropolitanas. Por outro lado, no caso particular da AML, por força da proximidade geográfica ao poder político, mas também da localização das redações e estúdios, as rádios de âmbito nacional cobrem de uma forma mais adequada a realidade concelhia do que o que acontece na Área Metropolitana do Porto, o que, por si só, se afigura como vantajoso. Por outro lado, e pese embora se tenha consciência de que a capital não dispõe de uma frequência verdadeiramente local, no anel urbano da AMP, composto pelos municípios do Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Valongo e Gondomar, existem apenas 3 rádios locais, sendo duas delas temáticas musicais. Por seu turno, Lisboa compara com 11 rádios nos municípios fronteiriços, quer da margem norte, quer da margem sul, o que resulta numa situação muito menos prejudicial a sul do que a norte, não obstante ser igualmente objeto da preocupação.

Em suma, e em jeito de conclusão, importa ponderar devidamente sobre o modelo que deverá suceder ao implementado em 1989. É notório que as rádios concelhias não têm escala nem músculo financeiro para competir com os grandes grupos, que usam as frequências para a  do seu objetivo de expansão nos territórios mais populosos e com maior rentabilidade. A evolução para um modelo de rádios regionais, permitiria certamente eliminar uma grande parte dos problemas aqui elencados, aproveitando muito do know how que resulta das locais de maior qualidade hoje existentes.

Os desdobramentos locais são ficticios pois a emissão é de Lisboa e não dos concelhos onde está o emissor.
Quanto ao resto, um excelente resumo do panorama nas duas AM do qual se pode concluir facilmente que em Lisboa podem estar alguns concelhos sem rádio local mas a sua frequência é ocupada por rádios da região e por isso fica esbatida a sua falta, quer pela criação de empregos, quer pela emissão que as rádios produzem, pois destinam-se a esses concelhos também.
Na AMP as frequências perdidas são muitas, todas ocupadas por rádios da AML e não se compreende que em tempos de eleições autárquicas nunca tenha visto em debate a erosão dos órgãos de comunicação social locais, nomeadamente rádio. Acredito que a grande maioria dos autarcas desconheça que os seus concelhos tenham frequências de rádio e como elas estão a ser ocupadas. Os debates autárquicos na AMP foram efectuados pelo Porto Canal e JN. Em rádio, nenhum concelho do 1º anel da AMP foi debatido, porque não há rádio onde debater. È triste. 

pdnf

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #13 em: Setembro 23, 2021, 08:00:37 pm »
O numero de rádios on line é inacreditável.
È sinal que há muita gente com interesse pelo meio. Basta uma procura por elas e vamos encontrar para todos os gostos em Portugal.
Se há tantas a nascer na internet é porque há quem goste de rádio.
O problema do mercado publicitário estar saturado é uma grande treta.
O problema é que os grande grupos, que aglutinam uma enormidade de frequências, aglutinam eles também quase todo o mercado publicitário. Se não tivesse sido permitido mais que uma rádio por cada operador ou titular de uma rádio, o mercado publicitário abria e era mais repartido.

O problema das rádios on line são os custos inerentes e a pouca capacidade de acessos da grande maioria, pois caso contrario

Zeca, mesmo para os grandes grupos, a coisa não anda famosa. Olhe por exemplo para a R/Com: na RR e na RFM só dá depuralina e expresso, na MegaHits só mesmo o Expresso, o que até acho estranho, porque é o jornal português mais formal a se publicitar na rádio mais informal de todas (tenho sérias dúvidas da rentabilidade daquela publicidade). Na MCR a situação é idêntica. Não me parece que seja por aí, mas sim porque a publicidade está a migrar fortemente para os influenciadores digitais.

Sim, é verdade. No online os custos são baixos, a começar nos emissores e energia, a acabar nos locutores e jornalistas que são reduzidos. Eu e o totalmente online...desconfio sempre! Seja na rádio ou nas compras!

Atento

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Re: O triste cenário do Grande Porto
« Responder #14 em: Setembro 23, 2021, 08:27:29 pm »
A maior parte das rádios locais serve para quê?