Autor Tópico: Festa da rádio francesa  (Lida 575 vezes)

ruicleto

  • Sr. Member
  • ****
  • Mensagens: 181
    • Ver Perfil
Festa da rádio francesa
« em: Junho 03, 2021, 11:00:02 am »
Por ocasião da celebração dos 100 anos da rádio francesa e o grande investimento no sistema DAB+, com uma expansão notável em território francês, que inclui agora rádios nacionais a serem difundidas nesta tecnologia -  deixo duas ligações para sítios na internet:

https://www.fetedelaradio.com/

https://www.dabplus.fr/2021/06/03/le-dab-c-est-la-radio-de-demain/

joao_s

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 561
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #1 em: Junho 03, 2021, 07:11:02 pm »
“ruicleto” parece-me inevitável, Portugal vai ter DAB+ no futuro, resta saber quando, sob pena de ser o único país europeu, no bloco em que está inserido, que não disponibiliza esta tecnologia aos cidadãos. Não podemos estar em sentido contrário do progresso quando os países vizinhos avançam. A obrigatoriedade dos veículos, comercializados nos estados membros, estarem equipados com recetores DAB vem impulsionar ainda mais este avanço e convergência no espaço europeu. Países como a Noruega, Suíça (em 2023), Reino Unido (dentro de 1 década), entre outros, vão desligar as emissões analógicas de radiodifusão (FM/AM) e manter apenas o DAB+. Obviamente que Portugal não vai manter apenas o FM quando os outros países vizinhos o desligarem.

A tecnologia DAB, de origem europeia, tem vindo a ser melhorada. Anteriormente, quando eram necessários 140 emissores DAB para dotar de sinal um dado país, hoje apenas são necessários 45 para o mesmo propósito, ou seja, a tecnologia está melhor, com menor investimento.

A nível europeu, Espanha é um dos países mais atrasados, mesmo atrás da Grécia que já dispõe de um multiplexer nacional de DAB+. Apenas dispõe de 2 multiplexers, um em Madrid, o outro em Barcelona, que cobre, no conjunto, cerca de 20% do território. Dizem os analistas do país vizinho, que o processo de implementação, promoção e perceção das vantagens do DAB tem sido caótico, não obedecendo a uma estratégia definida. Dizem eles, que Espanha está a aguardar pelos países vizinhos para ser mais assertiva nesta matéria. Com o impulso que o governo francês está desenvolver, via operador público “Radio France”, para implementar um multiplex nacional com vários canais de DAB, seguramente que Espanha não vai ficar atrás.

A Alemanha prepara-se para lançar o segundo multiplexador nacional de DAB+ que vem acrescentar mais 16 canais de rádio àqueles que já existem no multiplexador atual. Na Alemanha o consumo de rádio via DAB+ aumentou cerca de 35% em 2020, face a 2019. Cerca de 63% da população ouve rádio em recetores DAB.

Na Suíça, o DAB está a ter grande aceitação, pelo que o FM será desligado em 2023.

No Reino Unido, mais de 60% da população consome rádio através do sistema DAB+. Os FM/AM vão ser desligados dentro de 1 década.

Na Itália, a rede DAB cobre 83% do território nacional e existem 20 multiplexadores locais.

etc...

Portanto, trata-se de um processo irreversível. O DAB+ veio para ficar e cada vez mais enraizado nos hábitos de consumo de rádio dos europeus.

Memórias da Rádio

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 436
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #2 em: Junho 03, 2021, 08:14:03 pm »
E na Noruega já é o dominante o DAB+, sendo que no FM apenas ficaram as rádios locais e mesmo essas não por muito mais tempo.

ruicleto

  • Sr. Member
  • ****
  • Mensagens: 181
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #3 em: Junho 05, 2021, 01:41:02 pm »
Julgo que a ANACOM ou a ERC ou seja lá quem for, deveria promover um debate nacional sobre esta temática da implementação da rádio digital em Portugal. Fala-se sobre "tudo e mais alguma coisa", há comentadores para tudo neste país e, neste tema, que julgo muito importante - por definir um caminho a seguir - está toda a gente a "assobiar" para o lado...
Somos periféricos :-[

joao_s

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 561
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #4 em: Junho 05, 2021, 05:17:38 pm »
Bem, quando avaria um aparelho como um rádio-despertador e a reparação não compensa, o que fazer para o substituir? Apostar num novo dispositivo com DAB+ ou sem DAB, eis a questão. Atendendo que tive um rádio-despertador (de fabrico alemão) que durou 35 anos sem apresentar nenhum problema durante esse período de tempo e tratando-se, portanto, de um investimento para o longo prazo, optei por analisar com calma as diferentes alternativas, investigar diferentes fabricantes, modelos, reviews, etc. Escolhi um modelo com DAB+ que não há venda no mercado nacional (não temos DAB em Portugal), a antever que é uma questão de tempo até que esta tecnologia seja implementada neste país. Só não vê que não quer, a tecnologia DAB+ está a ganhar força em toda a Europa como sucessora do FM.

Optei por este equipamento do fabricante britânico ‘PURE’ (com a diferença da cor, que é de um negro acetinado, a cor branca fica encardida com o tempo, dando um aspeto de aparelho velho – não ligar aos comentários publicados no Youtube, são um amontoado de disparates). O dispositivo concentra uma série de funcionalidades e, devo dizer, que a qualidade superou as minhas expetativas. O destaque que é dado nos reviews que li está no desempenho do aparelho em DAB+ (o que não posso confirmar, o aparelho não deteta nada), o FM é acessório para eles. O que o aparelho faz em FM deixou-me boquiaberto a olhar para aquilo:
- Tem medidor de sinal e RDS. Nunca vi um aparelho deste tipo com estas funções. Capta muitíssimo bem. Com um fio, capta 92.8 da ‘Smooth FM’ em Santarém, a 130 Km do emissor (tendo este apenas 1 kW). Exibe uma seletividade irrepreensível.
- Permite controlar separadamente BASS e TREBLE;
-Estéreo;
- Bluethooth, para, emparelhado com o Smartphone, permitir que ouça a ‘BBC Radio 2’;
- Carregador sem fios de ‘Smartphones’ e porta USB para o mesmo efeito.
- Sincronismo de hora através dos sinais DAB+ (quando a tecnologia existir em Portugal);
Etc.

‘ruicleto’, estamos a adiar o inevitável, basta estar informado do que se passa na Europa. O que vemos com o DAB+ em Portugal é típico e “cultural”: falta de planeamento, organização, estratégia e uma tremenda inércia. Quando chegar o DAB+ a este país, estamos a ver o filme: processo caótico, sem o planeamento desejável, com os interesses de alguns a sobrepor-se ao interesse geral, mais caro do que um processo faseado. Conhece o país em que vive, certo?

Memórias da Rádio

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 436
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #5 em: Junho 05, 2021, 06:15:08 pm »
E o que vai acontecer ao DX quando o DAB+ for dominante?

joao_s

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 561
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #6 em: Junho 05, 2021, 06:30:20 pm »
O participante “Luís Carvalho” está mais habilitado para lhe responder. Pelo que tenho lido, continua a haver DX com DAB. Vi em fóruns estrangeiros relatos de radialistas que captaram sinais DAB de outros países, desde que se verificassem fenómenos de esporádicas.

Desconheço como é feita a atribuição de frequências nos sinais DAB, ou seja, se um dado país usa a mesma gama de frequências dos países vizinhos (situação frequente na Europa central, em que um país faz fronteira com vários).

Luis Carvalho

  • Administrator
  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 730
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #7 em: Junho 06, 2021, 09:59:37 am »
E o que vai acontecer ao DX quando o DAB+ for dominante?

Obviamente que continuará a haver DX via condução troposférica, contudo, e mercê das frequências mais elevadas relativamente ao FM, a propagação via "E esporádica" será um evento muito raro.
Cumprimentos,
Luís Carvalho

Administrador do "Fórum da Rádio"

nelsonsoares

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 56
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #8 em: Junho 09, 2021, 11:47:47 pm »
Julgo que a ANACOM ou a ERC ou seja lá quem for, deveria promover um debate nacional sobre esta temática da implementação da rádio digital em Portugal. Fala-se sobre "tudo e mais alguma coisa", há comentadores para tudo neste país e, neste tema, que julgo muito importante - por definir um caminho a seguir - está toda a gente a "assobiar" para o lado...
Somos periféricos :-[
Do momento em que boa parte dos donos das rádios portuguesas, rejeitam a todo o custo o DAB, apontando o caminho para o online, creio que está tudo praticamente dito.
Eu creio que o medo dos donos destas rádios que não apoiam o DAB, é sobretudo o facto de terem que investir em equipamentos digitais (há muitas rádios em Portugal que trabalham com os mesmos equipamentos há 30 anos), e muitas dessas rádios não terem dinheiro para tal.
Na minha opinião, se Portugal quiser mesmo adotar o DAB (eu espero que sim), o estado vai ter de ajudar as rádios a fazerem essa transição, nomeadamente no que toca a questões técnicas.
E se o estado ajudar as rádios nessa transição, como tem ajudado com a publicidade institucional...
Creio que muitas rádios locais, se não mesmo a grande maioria, vão acabar por fechar portas

joao_s

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 561
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #9 em: Junho 20, 2021, 09:06:27 pm »
“nelsonsoares”, julgo que tem conhecimento do modo como funcionam as diferentes estações de rádio por experiência própria. Aqui estou no papel de ouvinte e desconheço os bastidores do meio.

Embora se trate de um tópico da “Festa dos 100 anos da rádio francesa” e o assunto já seja outro, reitero que Portugal não é uma ilha isolada do resto da Europa. Se na Europa o DAB+ ganha cada vez mais força, porque motivo a rádio deste país estagnou tecnologicamente, estruturalmente, estrategicamente e está parada no tempo no que à difusão por via terrestre diz respeito? Ora, o que fazem os outros países para terem um número de estações de rádio locais e regionais, em DAB+, absolutamente gigantesco, não só mantendo, como aumentado a democraticidade e pluralismo do meio e melhorando a proximidade com os cidadãos? Esse parece-me um eixo importante da questão. Porque razão na Europa “há mercado” para o DAB+ e por cá ninguém se interessa??  Porquê todo este provincianismo?

Aqui, nesta matéria, estamos ao nível do terceiro mundo.

Luisf662

  • Jr. Member
  • **
  • Mensagens: 28
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #10 em: Junho 21, 2021, 07:34:58 am »
“nelsonsoares”, julgo que tem conhecimento do modo como funcionam as diferentes estações de rádio por experiência própria. Aqui estou no papel de ouvinte e desconheço os bastidores do meio.

Embora se trate de um tópico da “Festa dos 100 anos da rádio francesa” e o assunto já seja outro, reitero que Portugal não é uma ilha isolada do resto da Europa. Se na Europa o DAB+ ganha cada vez mais força, porque motivo a rádio deste país estagnou tecnologicamente, estruturalmente, estrategicamente e está parada no tempo no que à difusão por via terrestre diz respeito? Ora, o que fazem os outros países para terem um número de estações de rádio locais e regionais, em DAB+, absolutamente gigantesco, não só mantendo, como aumentado a democraticidade e pluralismo do meio e melhorando a proximidade com os cidadãos? Esse parece-me um eixo importante da questão. Porque razão na Europa “há mercado” para o DAB+ e por cá ninguém se interessa??  Porquê todo este provincianismo?

Aqui, nesta matéria, estamos ao nível do terceiro mundo.
A culpa desta situação cá em Portugal tem a ver com o que se passou com a TDT .

Enviado do meu Redmi 7 através do Tapatalk


nelsonsoares

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 56
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #11 em: Junho 21, 2021, 08:30:23 am »
“nelsonsoares”, julgo que tem conhecimento do modo como funcionam as diferentes estações de rádio por experiência própria. Aqui estou no papel de ouvinte e desconheço os bastidores do meio.

Embora se trate de um tópico da “Festa dos 100 anos da rádio francesa” e o assunto já seja outro, reitero que Portugal não é uma ilha isolada do resto da Europa. Se na Europa o DAB+ ganha cada vez mais força, porque motivo a rádio deste país estagnou tecnologicamente, estruturalmente, estrategicamente e está parada no tempo no que à difusão por via terrestre diz respeito? Ora, o que fazem os outros países para terem um número de estações de rádio locais e regionais, em DAB+, absolutamente gigantesco, não só mantendo, como aumentado a democraticidade e pluralismo do meio e melhorando a proximidade com os cidadãos? Esse parece-me um eixo importante da questão. Porque razão na Europa “há mercado” para o DAB+ e por cá ninguém se interessa??  Porquê todo este provincianismo?

Aqui, nesta matéria, estamos ao nível do terceiro mundo.
Na minha opinião, creio que se falhou na legalização das rádios locais em 89.
Somos um país pequeno, e na minha opinião, não há mercado para tanta rádio local.
Não havendo mercado, as rádios têm menos receitas.
Tendo menos receitas, não conseguem modernizar-se, quer em termos técnicos, quer em termos programáticos.
A rádio em Portugal necessita de se reinventar.
Como?
Talvez saindo à rua, estando mais perto dos ouvintes.
Quantas rádios nos dias de hoje saem dos estúdios?
Mas depois também é necessário questionar-se que recursos humanos têm a maioria das rádios locais, para poderem sair dos estúdios.
É um tema muito espesso, e que dá para horas e horas de debate.
Mas na minha opinião, creio que as rádios deveriam começar a pensar no DAB, porque acredito que seja uma questão de tempo, até termos normas da União Europeia, para sermos "obrigados" a arrancar com a rádio no digital.

Memórias da Rádio

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 436
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #12 em: Junho 21, 2021, 08:39:39 am »
Uma maneira das rádios locais sobreviverem melhor é a atribuição de emissores por distrito que num x distrito inteiro ofereçam o mesmo número de rádios que há agora.

Por exemplo (os números não vão estar corretos e é simplista de propósito):

Coimbra tem 8 rádios locais. Cobrir o distrito precisa de 1 emissor. Atualmente cada estação tem 1 (faz 8 ). Se se juntarem todas e emitirem no que há em digital, reduzem os custos de manutenção e eletricidade em 8x porque um único emissor passa a albergar 8 rádios e sem dúvida que os ouvintes de um dado concelho continuarão a ouvir a rádio do seu concelho, assim se posicione como tal.

Se o custo de manutenção e emissão representar, sei lá, 240€/mês para cada uma, passa a ser de 30€/mês para cada uma e liberta recursos da estação enquanto continua a estar focada no seu concelho. Novos dipolos, torres, equipamentos externos, onde custa dinheiro a sério no fundo, é uma vaquinha por oito. A única coisa em que cada uma tem separada é o processador de som mas essas aquisições já são sustentadas a 50% pelo Estado atualmente nos vários concursos fora que há soluções digitais muito muito low cost para dar a assinatura que querem.

Quem perde são as empresas industriais que fabricam componentes rádio e, basicamente, a EDP, mas se não fossem perder agora iam perder mais à frente com a falência das locais, e é por isso, e sobretudo por isso, que há campanha contra o digital. Lobbies.

Fala-se que o DAB+ pode ser a morte das locais, mas na verdade pode é ser um bálsamo autêntico face às estruturas de custos e proveitos atuais, todas pressionadas. É preciso é haver visão e não um provincianismo saloio de velho do Restelo que não deixa avançar nada.
« Última modificação: Junho 21, 2021, 08:42:50 am por Memórias da Rádio »

nelsonsoares

  • Full Member
  • ***
  • Mensagens: 56
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #13 em: Junho 21, 2021, 08:46:55 am »
Uma maneira das rádios locais sobreviverem melhor é a atribuição de emissores por distrito que num x distrito inteiro ofereçam o mesmo número de rádios que há agora.

Por exemplo (os números não vão estar corretos e é simplista de propósito):

Coimbra tem 8 rádios locais. Cobrir o distrito precisa de 1 emissor. Atualmente cada estação tem 1 (faz 8 ). Se se juntarem todas e emitirem no que há em digital, reduzem os custos de manutenção e eletricidade em 8x porque um único emissor passa a albergar 8 rádios e sem dúvida que os ouvintes de um dado concelho continuarão a ouvir a rádio do seu concelho, assim se posicione como tal.

Se o custo de manutenção e emissão representar, sei lá, 240€/mês para cada uma, passa a ser de 30€/mês para cada uma e liberta recursos da estação enquanto continua a estar focada no seu concelho. Novos dipolos, torres, equipamentos externos, onde custa dinheiro a sério no fundo, é uma vaquinha por oito. A única coisa em que cada uma tem separada é o processador de som mas essas aquisições já são sustentadas a 50% pelo Estado atualmente nos vários concursos fora que há soluções digitais muito muito low cost para dar a assinatura que querem.

Quem perde são as empresas industriais que fabricam componentes rádio e, basicamente, a EDP, mas se não fossem perder agora iam perder mais à frente com a falência das locais, e é por isso, e sobretudo por isso, que há campanha contra o digital. Lobbies.

Fala-se que o DAB+ pode ser a morte das locais, mas na verdade pode é ser um bálsamo autêntico face às estruturas de custos e proveitos atuais, todas pressionadas. É preciso é haver visão e não um provincianismo saloio de velho do Restelo que não deixa avançar nada.
Totalmente de acordo.
Mas convém frisar que nem todos os distritos são geograficamente do mesmo tamanho.
Falando do Algarve, por exemplo, o Distrito de Faro é geograficamente enorme, contando com um litoral mais ou menos plano, e um interior mais serrano.
Enquanto, por exemplo, no Alentejo, temos a maior planície da Europa.
E por exemplo, a Ilha da Madeira, sendo rochosa como é, jamais seria coberta na tonalidade, com apenas um emissor.
Depende de cada região, e como ela é geograficamente.
Mas com o tempo, é inevitável esta discussão sobre o DAB.

Memórias da Rádio

  • Hero Member
  • *****
  • Mensagens: 436
    • Ver Perfil
Re: Festa da rádio francesa
« Responder #14 em: Junho 21, 2021, 08:56:58 am »
Uma maneira das rádios locais sobreviverem melhor é a atribuição de emissores por distrito que num x distrito inteiro ofereçam o mesmo número de rádios que há agora.

Por exemplo (os números não vão estar corretos e é simplista de propósito):

Coimbra tem 8 rádios locais. Cobrir o distrito precisa de 1 emissor. Atualmente cada estação tem 1 (faz 8 ). Se se juntarem todas e emitirem no que há em digital, reduzem os custos de manutenção e eletricidade em 8x porque um único emissor passa a albergar 8 rádios e sem dúvida que os ouvintes de um dado concelho continuarão a ouvir a rádio do seu concelho, assim se posicione como tal.

Se o custo de manutenção e emissão representar, sei lá, 240€/mês para cada uma, passa a ser de 30€/mês para cada uma e liberta recursos da estação enquanto continua a estar focada no seu concelho. Novos dipolos, torres, equipamentos externos, onde custa dinheiro a sério no fundo, é uma vaquinha por oito. A única coisa em que cada uma tem separada é o processador de som mas essas aquisições já são sustentadas a 50% pelo Estado atualmente nos vários concursos fora que há soluções digitais muito muito low cost para dar a assinatura que querem.

Quem perde são as empresas industriais que fabricam componentes rádio e, basicamente, a EDP, mas se não fossem perder agora iam perder mais à frente com a falência das locais, e é por isso, e sobretudo por isso, que há campanha contra o digital. Lobbies.

Fala-se que o DAB+ pode ser a morte das locais, mas na verdade pode é ser um bálsamo autêntico face às estruturas de custos e proveitos atuais, todas pressionadas. É preciso é haver visão e não um provincianismo saloio de velho do Restelo que não deixa avançar nada.
Totalmente de acordo.
Mas convém frisar que nem todos os distritos são geograficamente do mesmo tamanho.
Falando do Algarve, por exemplo, o Distrito de Faro é geograficamente enorme, contando com um litoral mais ou menos plano, e um interior mais serrano.
Enquanto, por exemplo, no Alentejo, temos a maior planície da Europa.
E por exemplo, a Ilha da Madeira, sendo rochosa como é, jamais seria coberta na tonalidade, com apenas um emissor.
Depende de cada região, e como ela é geograficamente.
Mas com o tempo, é inevitável esta discussão sobre o DAB.

Sem dúvida, sem dúvida. Para o Algarve um só nunca chegaria por exemplo, teriam de ser dois como já hoje acontece, e com o multipath eventual junto da costa ou nas serranias talvez um terceiro a menor cota fosse necessário para ficar perfeito, mas ainda assim temos por exemplo nesse caso 14 estações* e 14 emissores que reduziam a 2/3 :)

Na Ilha da Madeira por exemplo são 12 resistentes que em muitos casos mal se fazem ouvir fora dos concelhos de origem ou pouco mais, e que passavam a ganhar a ilha toda, e embora para 100% de cobertura tenhamos a rádio pública com 13 emissores na Antena 1 e na 3, nada impede uma solução aproximada à Antena 2, com 4 emissores para uns 95%, *ou* a subsidiação de custos de emissão dos microcentros pela Região Autónoma *ou* pendurarem-se nas eventuais micros digitais da rádio pública, tratando-se de determinação dos vários concelhos e da substancial melhoria das condições de recepção...

Nos Açores também o mesmo pode acontecer.

* não conta com as rádios locais que foram compradas pelas nacionais e é baseado no FM-Scan